FILHA DAS FLORES

CRÍTICAS

“Bildungsroman tropical, com o que isso significa de exuberância e alegria, A filha das flores começa por surpreender pela linguagem, de uma ingenuidade feliz, tão rara na atual literatura em língua portuguesa, e ao mesmo tempo capaz de inesperadas ousadias formais. Esta novíssima escritora vem da música, e isso se percebe, aqui e ali, pela atenção ao ritmo e à melodia das frases. Giza, a protagonista, cujo crescimento acompanhamos, da infância descuidada a uma primeira juventude curiosa e apaixonada, nos leva a ver a intimidade de um Brasil rural, muito interior. Um mundo onde a realidade ainda passeia, de mão dada, sem estranheza, sem a menor contradição, com o maravilhoso e a fantasia. Vanessa é da mata, de Mato Grosso, e daí a exuberância, a ternura, a prodigiosa imaginação e também a ironia, tantas vezes cruel, com que constroi os seus personagens. Há na literatura casos de escritores que são os seus melhores personagens. Mais raros, são os escritores que sendo grandes personagens, ou seja, tendo uma boa história para contar, a sabem contar. Vanessa pertence a esta última estirpe. Uma pena, porque sempre a quis para personagem minha, e agora ela vem e traz-nos este mundo. Um mundo tão imenso, tão rico, que certamente irá gerar muitos outros romances. Espero que encontrem os leitores que merecem.”
− José Eduardo Agualusa